De qualquer forma, eu me interesso pelo Gerard porque me interessava por MCR. Mas, por favor, alguém pode avisar para as garotas histéricas que Hesitant Alien é sensacional? Eu sou apaixonada pelo que o Gerard vem fazendo solo.
Vamos mergulhar em Hesitant Alien agora.
Escutar esse álbum é como estar em casa depois de uma longa viagem. Eu sinto como se ele me abraçasse e dissesse "Bem vinda de volta." Ele soa como a coisa certa no momento, e isso parece não apenas me deixar animada, mas também ao Gerard. Algumas rápidas considerações:
1) Eu não sei o que é um "Action Cat". O Gerard não sabe o que é. Então, o que importa? A letra é tão simples e tão verdadeira. Não acho que seja necessário nenhuma "mensagem escondida" para que a canção seja considerada interessante. Ela diz o que diz.
Na verdade, essa ideia vale para o álbum inteiro. Não faz muito sentido perder tempo observado e medindo cara vírgula e respiração para ver se há algum sentido oculto (ou um back vocal dizendo "MCR will come back").
Simplicidade é uma forma de beleza.
2) Como alguém consegue não gostar de Drugstore Perfume? É impossível. A letra é bonita, a melodia é bonita, o ritmo é envolvente... Eu não entendo como tem gente que não gosta. OLHA ISSO:
(...) I’m
Not sure you know my name, that’s fine
"But take me with you this time", she says
De uma forma ou de outra, acredito que quase todo mundo pode se ver um pouco nessa garota e na vida que ela leva.
"Brother" também é relativamente sentimental, mas tem um espírito diferente. Acho que busca mais um apelo fraterno (não só pelo título - a letra e a batida são muito voltada para um halo de companheirismo).
3) Don't Try deveria ter entrado para o álbum.
Sim, eu gosto de "Television All the Time", mas se eu pudesse escolher uma canção para entrar como faixa bônus teria sido "Don't Try". A melodia me dá vontade de chorar e a letra é bem, bem bonita. Dá a impressão que ele colocou todo o coração e sinceridade dele nessa canção.
You rise in your heart when you're breathing
You're always mad when you're dreaming
Bow down, give up, 'cause it's alright
Toda aquela história de não desistir nunca e sempre buscarmos o que queremos é bem legal e tudo, mas é meio simplista. As coisas não dependem somente da nossa vontade, até porque lidamos com outras pessoas (logo, outras vontades) constantemente.
Ainda assim, me parece que ele tenta passar que aceitar esse fato faz parte de crescer. Os cabelos grisalhos, a tristeza, a desistência - tudo isso faz parte da vida, e não adianta tentar negar.
Acho que "Don't Try" poderia encerrar o álbum... Ele completa aquele sentimento de simplicidade, de "vida como ela é" que Hesitant Alien me faz sentir.
Dizem que tanto "Don't Try" quanto "Kid Nothing" e "Cheap Lights" poderão entrar no próximo álbum. O que mata é a espera.
Minha reflexão final: Enquanto o primeiro álbum do My Chemical Romance, I Brought You My Bullets You Brought Me Your Love, passava uma impressão de morbidez, romance e medo, o primeiro álbum do Gerard apresenta sua maturidade e sua evolução ao longo dos 12 anos que os separam.
Hesitant Alien - uma coisa nova, diferente, que chega aos poucos, talvez com timidez. Pode se referir não somente à carreira solo do Gerard, mas ao processo de amadurecer, envelhecer, aprender com a vida.
Ao crescermos, vemos que algumas das coisas que pareciam muito complicadas são, na verdade, simples. Como se encaixar na sociedade. Em "No Shows", essa mensagem fica muito clara. Não há nada de errado em não pertencer - acredito que pouca gente sinta que está dentro do padrão... Talvez aqueles que não param para pensar no quão únicos, especiais e estranhos são.
Nossa caminhada está marcada pelas pessoas com quem convivemos. Elas podem se tornar únicas para nós, como se fossem irmãos. E então, conhecemos o amor fraterno. Contando e dependendo um dos outros. Caindo e crescendo juntos. Também há outros tipos de amor, que fazem com que alguém se torne um em um milhão. Ainda assim... Nem sempre vale a pena mudar pelos outros. Às vezes, nossos amigos e amores, se tornam apenas uma lembrança, histórias do passado.
A vida é simples. E também tem sua rotina. Não tem como fugirmos dela para sempre. Mas, de vez em quando, coisas irão tornar nossa realidade, talvez por pouco tempo, um ponto fora da curva. Iremos nos lembrar que somos especiais. De que somos humanos. Que somos todos tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo.
Pode parecer muito extrair isso de um álbum. Mas é o que eu sinto, sempre.
Mesmo perdida na confusão da minha própria realidade, mesmo sentindo como se eu não pertencesse à lugar algum, Hesitant Alien me acolhe e me conforta na sua "estranheza".
Não faço a menor ideia se era isso o que o Gerard queria transmitir, e essa é uma característica notável da música - todos têm uma considerável liberdade para interpretar e sentir.