sábado, 11 de julho de 2015

Gerard Way – e o maravilhoso Hesitant Alien

Tudo bem, eu gosto de My Chemical Romance (muito), mas sou equilibrada. Nada de mandar tweets pro Gerard/Frank/Mikey/Ray/Bob(!!) pedindo para que o MCR volte, nada de tentar converter os outros para que ouçam MCR etc. etc.
De qualquer forma, eu me interesso pelo Gerard porque me interessava por MCR. Mas, por favor, alguém pode avisar para as garotas histéricas que Hesitant Alien é sensacional? Eu sou apaixonada pelo que o Gerard vem fazendo solo.

Vamos mergulhar em Hesitant Alien agora.
Escutar esse álbum é como estar em casa depois de uma longa viagem. Eu sinto como se ele me abraçasse e dissesse "Bem vinda de volta." Ele soa como a coisa certa no momento, e isso parece não apenas me deixar animada, mas também ao Gerard. Algumas rápidas considerações:
1) Eu não sei o que é um "Action Cat". O Gerard não sabe o que é. Então, o que importa? A letra é tão simples e tão verdadeira. Não acho que seja necessário nenhuma "mensagem escondida" para que a canção seja considerada interessante. Ela diz o que diz.
Na verdade, essa ideia vale para o álbum inteiro. Não faz muito sentido perder tempo observado e medindo cara vírgula e respiração para ver se há algum sentido oculto (ou um back vocal dizendo "MCR will come back").
Simplicidade é uma forma de beleza.

2) Como alguém consegue não gostar de Drugstore Perfume? É impossível. A letra é bonita, a melodia é bonita, o ritmo é envolvente... Eu não entendo como tem gente que não gosta. OLHA ISSO:
(...) I’m
Not sure you know my name, that’s fine
"But take me with you this time", she says

Esses são meus versos preferidos, inclusive. Acredito que essa foi a canção mais profunda e sentimental do álbum todo. A menina de quem ele fala parece levar um vida extremamente simples, e inclusive um pouco melancólica. Ela não tem muitas expectativas para o futuro e só que sair daquele lugar; ela sabe que não pertence àquela realidade. Mesmo tendo encontrado alguém que a ame, não poderia ficar: ela não pode mudar por amor, sair de lá é algo que ela quer há muito tempo.
De uma forma ou de outra, acredito que quase todo mundo pode se ver um pouco nessa garota e na vida que ela leva.
"Brother" também é relativamente sentimental, mas tem um espírito diferente. Acho que busca mais um apelo fraterno (não só pelo título - a letra e a batida são muito voltada para um halo de companheirismo).

3) Don't Try deveria ter entrado para o álbum.
Sim, eu gosto de "Television All the Time", mas se eu pudesse escolher uma canção para entrar como faixa bônus teria sido "Don't Try". A melodia me dá vontade de chorar e a letra é bem, bem bonita. Dá a impressão que ele colocou todo o coração e sinceridade dele nessa canção.

You rise in your heart when you're breathing
You're always mad when you're dreaming
Bow down, give up, 'cause it's alright

Eu não tenho certeza... Talvez ele esteja falando que às vezes devemos aceitar nossas derrotas. Nós não podemos acertar sempre, afinal.
Toda aquela história de não desistir nunca e sempre buscarmos o que queremos é bem legal e tudo, mas é meio simplista. As coisas não dependem somente da nossa vontade, até porque lidamos com outras pessoas (logo, outras vontades) constantemente.
Ainda assim, me parece que ele tenta passar que aceitar esse fato faz parte de crescer. Os cabelos grisalhos, a tristeza, a desistência - tudo isso faz parte da vida, e não adianta tentar negar.
Acho que "Don't Try" poderia encerrar o álbum... Ele completa aquele sentimento de simplicidade, de "vida como ela é" que Hesitant Alien me faz sentir.
Dizem que tanto "Don't Try" quanto "Kid Nothing" e "Cheap Lights" poderão entrar no próximo álbum. O que mata é a espera.


Minha reflexão final: Enquanto o primeiro álbum do My Chemical Romance, I Brought You My Bullets You Brought Me Your Love, passava uma impressão de morbidez, romance e medo, o primeiro álbum do Gerard apresenta sua maturidade e sua evolução ao longo dos 12 anos que os separam.
Hesitant Alien - uma coisa nova, diferente, que chega aos poucos, talvez com timidez. Pode se referir não somente à carreira solo do Gerard, mas ao processo de amadurecer, envelhecer, aprender com a vida.
Ao crescermos, vemos que algumas das coisas que pareciam muito complicadas são, na verdade, simples. Como se encaixar na sociedade. Em "No Shows", essa mensagem fica muito clara. Não há nada de errado em não pertencer - acredito que pouca gente sinta que está dentro do padrão... Talvez aqueles que não param para pensar no quão únicos, especiais e estranhos são.
Nossa caminhada está marcada pelas pessoas com quem convivemos. Elas podem se tornar únicas para nós, como se fossem irmãos. E então, conhecemos o amor fraterno. Contando e dependendo um dos outros. Caindo e crescendo juntos. Também há outros tipos de amor, que fazem com que alguém se torne um em um milhão. Ainda assim... Nem sempre vale a pena mudar pelos outros. Às vezes, nossos amigos e amores, se tornam apenas uma lembrança, histórias do passado.
A vida é simples. E também tem sua rotina. Não tem como fugirmos dela para sempre. Mas, de vez em quando, coisas irão tornar nossa realidade, talvez por pouco tempo, um ponto fora da curva. Iremos nos lembrar que somos especiais. De que somos humanos. Que somos todos tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo. 

Pode parecer muito extrair isso de um álbum. Mas é o que eu sinto, sempre. 
Mesmo perdida na confusão da minha própria realidade, mesmo sentindo como se eu não pertencesse à lugar algum, Hesitant Alien me acolhe e me conforta na sua "estranheza".
Não faço a menor ideia se era isso o que o Gerard queria transmitir, e essa é uma característica notável da música - todos têm uma considerável liberdade para interpretar e sentir.


Placebo – Battle for the Sun: o meu olhar

Quase todo mundo odeia o Battle for the Sun (2009), e eu realmente não consigo entender o porquê. Alguns dizem que "todas as faixas são exatamente iguais", outros que "o som deles ficou muito comercial e suave". Não posso deixar de discordar.
Sobre a primeira afirmação, o que eu posso dizer é que Battle for the Sun, For What It's Worth e Devil in the Details são, de fato, canções parecidas. Pelo menos para mim, elas soam como se tivessem a mesma batida. E, sinceramente, outro ponto em comum delas é superficialidade da letras (talvez Devil in the Details nem seja assim tão superficial como as outras duas, mas enfim). 
Tendo dito isto, eu considero todas, todas as outras faixas muito singulares. Com exceção de The Never Ending Why, da qual não sou muito fã, as outras 12 músicas restantes são fantásticas.

*Primeiramente, eu amo Kitty Litter, e achei uma faixa de abertura incrível. Traduziu bastante o espírito do álbum e o refrão é ótimo. 
Love of mine this fortress in our hearts
Feels much weaker now we're apart

Ashtray Heart recebe muito mais ódio do que eu esperava. É outra canção que eu gosto muito. Bright Lights tem um comecinho muito amorzinho, sou seriamente apaixonada por aquele começo. E para não falar de todas as canções, vou direto para as minhas preferidas: Julien, Unisex e In a Funk. 
Julien é bem simples, na realidade. A batida tem um quê de irreverente e a letra fica na cabeça por horas e horas, mas o que mais me encanta é a voz do Brian. Sou uma fã declarada do que ele faz nos vocais, e essa canção em particular me deu arrepios (o verso Now that it's snowing in your brain especialmente). Unisex e In a Funk me ganharam porque... Bem, porque as letras são fascinantes. 


Inside we are Picasso blue
Outside it's armageddon
(Unisex)

Is it a reconciliation?
Or just a way of killing time?
(In a Funk)
Não pude não me apaixonar.


*Agora: o som deles ficou muito comercial? Não, meu bem, não!
Battle for the Sun não foi o primeiro álbum que eu ouvi – foi Meds. Particularmente, eu gosto bastante de Meds, e também de Placebo e Without You I'm Nothing. Para resumir a história, eu consigo ver que eles mudaram ao longo do anos, mas não acho, de forma alguma, que a "qualidade" do som deles tenha decaído.
Aliás, eu acho o Loud Like Love um álbum igualmente incrível!
(PS: Eu não citei o Black Market Music nem o Sleeping With Ghosts por pura preguiça).

Depois de escutar Kings of Medicine e The Movie On Your Eyelids (especialmente esta), não consigo dizer que eles ficaram comerciais. Pode ser que eles tenham fugido um pouco da batida "pesada" e da melancolia persistente que marcam outros álbuns, mas eu não achei isso algo ruim, muito pelo contrário. 
Se Placebo fizesse o mesmo tipo de som ao longo desses 20 anos, seria mais uma dessas bandas que você nunca consegue se lembrar qual o nome da música que você está escutando porque todas soam exatamente iguais.

Sou (e acho que sempre serei) uma defensora do Battle for the Sun. É um álbum inovador - acho que todo mundo foi pego de surpresa por ele, e isso é algo que contribui para o fato de eu gostar tanto dele.